Quem acabou de comprar um carro elétrico e está feliz com a economia nas recargas vai se surpreender com uma despesa que não esperava: os pneus. Eles desgastam mais rápido do que nos carros a combustão e, quando chega a hora de repor, o preço costuma ser significativamente maior. Não é coincidência. São dois fenômenos físicos distintos que atuam ao mesmo tempo.
O Torque Imediato e o Cisalhamento da Borracha
Motores elétricos entregam torque máximo desde zero RPM. Isso significa que quando você abre o acelerador, toda a força do motor chega às rodas imediatamente, sem a curva de entrega progressiva de um motor a combustão.
Nas arrancadas, esse torque imediato gera um cisalhamento intenso entre a borracha e o asfalto. A superfície do pneu é literalmente raspada contra o pavimento com força máxima no momento mais crítico. Em cada saída de semáforo, em cada incorporação na avenida, em cada aceleração rápida, a borracha paga um pedágio que se acumula.
Motoristas acostumados com carros elétricos aprendem a acelerar de forma progressiva para preservar os pneus. Mas mesmo com esse cuidado, a diferença de desgaste em relação a um carro a combustão de mesma potência continua existindo.
O Peso da Bateria e a Carcaça Reforçada
A bateria de alta tensão de um carro elétrico pode pesar entre 300 e 700 kg dependendo do modelo. Um compacto elétrico popular pode pesar 400 kg a mais do que a versão a combustão equivalente. Todo esse peso extra é suportado pelos quatro pneus.
Para suportar essa carga sem deformar lateralmente (o que comprometeria a dirigibilidade e a segurança), os fabricantes desenvolvem pneus com carcaças estruturalmente reforçadas. Esse reforço adiciona custo de fabricação e, na hora da reposição, é refletido no preço.
O terceiro fator é acústico: sem o som do motor, qualquer ruído de rolagem do pneu fica amplificado dentro do carro. Para resolver isso, muitos pneus para elétricos têm um anel de espuma de poliuretano colada na parte interna para absorver vibração. Essa espuma encarece muito o produto e, em caso de furo, impede o uso de reparos convencionais com câmara de ar. Normalmente, o pneu precisa ser substituído inteiro.
Como Minimizar o Desgaste
Algumas práticas ajudam a alongar a vida dos pneus de elétricos. Manter a calibragem na pressão correta é ainda mais importante do que em carros a combustão, porque o peso maior do veículo amplifica o efeito de um pneu descalibrado no desgaste das bordas. Rodízio regular, a cada 7.000 a 10.000 km, distribui melhor o desgaste entre os quatro pneus. E acelerar de forma suave e progressiva reduz o cisalhamento nas arrancadas.
Ao comprar um elétrico, pesquise o custo de reposição dos pneus específicos do modelo antes de fechar negócio. A diferença de preço entre pneus convencionais e pneus para elétricos pode variar de 30% a mais de 100% dependendo da marca e do tamanho.
Registre as Calibragens no Navez
O Navez permite registrar a calibragem dos pneus com data e pressão aplicada. Para quem tem um elétrico, manter a calibragem em dia é ainda mais importante. Registrar no app garante que você nunca fica mais de duas semanas sem verificar a pressão.
Registrar Calibragens no Navez
