Um turbocompressor bem mantido dura a vida do motor. Um turbo negligenciado pode falhar em 100.000 km e custar de R$ 3.000 a mais de R$ 10.000 para substituir. A principal causa de falha prematura não é uso intenso, não é falta de potência no óleo e não é o peso do carro. É o que acontece nos primeiros e nos últimos minutos de funcionamento do motor.
Como o Turbo É Lubrificado
O eixo do turbocompressor gira a velocidades altíssimas, frequentemente entre 100.000 e 200.000 RPM dependendo do projeto. Esse eixo é suportado por mancais que flutuam em uma película de óleo sob pressão fornecida pelo motor. Enquanto o motor está em funcionamento, a bomba de óleo mantém circulação constante através da carcaça do turbo, lubrificando o eixo e, tão importante quanto, resfriando a carcaça central que fica próxima do coletor de escape.
O Que É o Coking
Quando o motor é desligado depois de uma condução intensa, a bomba de óleo para. O turbo, porém, continua girando por inércia por alguns segundos. E a carcaça central do turbo, aquecida pelo calor do escape que pode passar de 900°C durante uso intenso, agora não tem mais fluxo de óleo para resfriá-la.
O óleo que ficou dentro da carcaça aquece rapidamente além do ponto de degradação e carboniza. Forma depósitos sólidos de carbono nos canais internos e na superfície do eixo. Esse processo é chamado de coking. Na primeira vez que acontece, o efeito é pequeno. Com a repetição ao longo do tempo, os depósitos se acumulam e começam a restringir o fluxo de óleo, aumentar o atrito no eixo e, eventualmente, travar o eixo ou destruir os mancais.
A solução é simples e gratuita: depois de qualquer condução intensa (autoestrada em alta velocidade, subida longa, ultrapassagens frequentes), deixe o motor em marcha lenta por 2 a 3 minutos antes de desligar. Nesse período, o turbo desacelera enquanto o fluxo de óleo ainda existe, e a carcaça começa a resfriar com o óleo circulando. Esse hábito, feito consistentemente, pode dobrar a vida útil do turbocompressor.
A Questão da Partida a Frio
O outro momento crítico é a partida a frio, especialmente quando seguida de aceleração intensa imediata. O óleo frio tem viscosidade alta e demora um pouco mais para chegar ao turbo pela linha de alimentação. Durante esse intervalo, o eixo opera com lubrificação insuficiente.
A prática recomendada é aguardar 20 a 30 segundos em marcha lenta após a partida a frio antes de qualquer aceleração mais brusca. Não é necessário aquecer o motor por minutos como se fazia antigamente, mas respeitar esses segundos iniciais protege o turbo nos momentos de maior vulnerabilidade.
Muitos carros turbo modernos têm bombas de óleo elétricas auxiliares que continuam circulando óleo por alguns segundos após o motor ser desligado, justamente para evitar o coking. Se o seu carro tem essa função, ela não elimina o benefício de deixar o motor em marcha lenta antes de desligar, mas reduz o risco.
Registre Trocas de Óleo no Navez
Em carros turbinados, respeitar o intervalo de troca de óleo é ainda mais importante do que em motores aspirados. O óleo circula nas temperaturas mais altas do turbo e se degrada mais rapidamente. Registre cada troca no Navez e nunca estenda o prazo além do recomendado pelo fabricante.
Registrar Trocas de Óleo no Navez
